Elocubrar é a variante de lucubrar, compor uma obra com esforço, a custa de muita meditação. Literatura que se faz espremendo o cérebro. (O Autor)-------O Bom humor é a medida absoluta da inteligência do ser humano. (Nietzsche).

April, 2007

Os dois neurônios de Lula

OS NEURÔNIOS
Dentro da cabeça de Lula, mas bem dentro da cabeça dele, funcionam dois neurônios. O N1 que é o mais antigo, mais comedido e o mais racional, é aquele que quando nascemos sabemos onde procurar o leite materno. Seriam nas próprias palavras de Lula o “Instinto Animal”. O N2 é o neurônio que aprende com as experiências vivenciadas, aprende como passar da vida. O N2 está sempre se gabando:
“Sou o Presidente”.
“Sei...”
“Você tem que acreditar N1.”
“Nós! Não somos Presidentes Nós! Estamos Presidente”.
“Não. Eu sou presidente. Sempre fui. Presidente do partido que fundei e agora. Presidente do Brasil.”
“Nós não somos Presidentes! Nós estamos Presidentes e um dia isto vai acabar!”
“Eu vou dar um jeito nisso. Preciso dar um jeito nisso urgente! Antes que seja tarde demais.”
“Tarde demais para o quê?”
“Se um dia sair daqui. O que eu acho muito improvável. As pessoas continuaram a me chamar de presidente. Então para quê sair? Vou ficar aqui. Meu Lugar é aqui, eu consegui primeiro e ninguém tasca.”
“Mas quando sairmos daqui, e isto é uma inevitabilidade, para onde iremos?”
“O que? Você esta falando difícil agora? Inevitabilidade. Quem diria! o Instinto Animal nem tão animal assim. Mas, voltar a ser sindicalista jamais! Pior que sindicalista só a UNE. Preciso reunir o time para ver o que vou fazer. Preciso chamar o Zé e o Marcinho.”
“Não adianta. Vamos ter de viver com nossa aposentadoria de presidente que é boa. O que podemos querer mais do que isso? Voltar para o PT não dá. Seremos massacrados. Deputado? Senador? Não temos mais saco para isso.”
“Porra!!! Eu sou Presidente!”
“É mais acho que não vai ter jeito não. Não fica bem ser chamado de ditador”.
“Eu não me importo. Depois de tudo que aprontamos isso vai ser fichinha. Contanto que Eu continue presidente”.
“O Outro pelo menos tinha uma profissão interessante que era a de professor. Eu sempre quis ser professor, me lembro da infância que sentava na sala de aula e imagina ensinando os outros. Não fiz faculdade, mas ensinei aos outros alguma coisa.”
Uma breve pausa na conversa.
“O que nós ensinamos N1?”
“... sei lá... talvez a votar. Talvez a terem de ficar mais espertos com os políticos. Mas talvez tenhamos ensinado que a ideologia não vale absolutamente nada.”
“Bom, mas eu sou Presidente.”
“Eu deveria te ensinar que a era dos ditadores já passou, isso é antigamente. É quando agente lutava contra eles e foi por isso que fomos eleitos, pelo que fizemos no passado. Agora nós vamos deixar de sermos Presidente. Se não quisermos nos transforma justamente no que combatíamos.”
“Não me interessa e você sabe muito bem do que fomos capazes de fazer. Esse papo de padre me encheu o saco.”
O N2 estava cabisbaixo. Começava uma depressão. N1 era a sabedoria do instinto animal, sabia do sofrimento de N2, mas não podia fazer nada, afinal ele estava aprendendo com aquilo. Mas os neurônios não iriam muito longe, estavam em conflito sem perceberem. Intelectualmente N2 foi muito além do que N1 poderia imaginar. Talvez mais do que poderia suportar. Presidente do Brasil.
Começou a discussão.
“Você com essa sua pequinesa N1 me enoja!”
“Onde você aprendeu esse palavreado? Ta parecendo um daqueles baitolas universitários que tanto me pentelham.”
“Seu ignorante! Apedeuta!”
“Aha! Você quer ser ditador e eu é que sou apedeuta...?”
Uma briga entre os neurônios se instalou, foi porrada para todo lado, golpes de jiu-jitsu, misturados a rabos-de-arraia, dedo nos olhos, puxões de cabelo, rasteiras e por final quem venceu a briga foi o N1.
“Você nunca se esqueça que se NÓS estamos onde estamos foi graças a mim, ao meu instinto de sobrevivência, a fome que eu reconheço, ao meu fisiologismo e se você não aprendeu nada com isso pode desconectar a sua bainha de mielina”.
Os Neurônios deixaram de se falar. O dono dos Neurônios passou a falar coisas sem nexo. Suas olheiras aumentaram e o sobrepeso despontou. A depressão estava instalada. Mas um dia o N2 voltou a falar com o N1:
“Você tem razão N1, em tudo o que disse. Mas uma coisa você tem de concordar comigo.”
“Fale.”
“Se você fez o que fez por nosso fisiologismo não tem porque deixar de ser presidente. Você sabe. Se sairmos daqui é um adeus a este fisiologismo que estamos vivendo. Você vai querer isso? Não acredito.”
“Sabe que você esta aprendendo N2! Acho que você esta certo.”
Um dia o Presidente voltou a ser o que era, alegre e disposto. Alguns poucos perceberam que havia algo além de uma fisionomia alegre, havia um sorrisinho muito maroto escondido.

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