Elocubrar é a variante de lucubrar, compor uma obra com esforço, a custa de muita meditação. Literatura que se faz espremendo o cérebro. (O Autor)-------O Bom humor é a medida absoluta da inteligência do ser humano. (Nietzsche).

August, 2007

Um dia no congresso da esquerda brasileira...

“Companheiros e companheiras! Peço a sua atenção. Estamos aqui para avaliar a governabilidade deste país.” (Aplausos).

“Vejo que escorregamos um pouco, mas agora estamos de vento em popa, como se escorregássemo numa ladeira. Isto me lembra, certo dia de quando eu era proletário e pisava nas bostas dos cachorro lá da vila. Um dia, companheiro e companheiras, eu tinha pisado numa enorme merda de cachorro, destas feitas por um fila brasileiro. Ainda hoje, eu acho que aquela merda foi feita, na verdade, pelo mindingo que vivia ali perto, pois era muito grande e foi difícil limpar o sapato, fedia demais! Raspei no chão até cansar, mas não saia.

Companheiros e companheiras, fui com aquela bosta agarrada na minha bota de trabalhador e eu sujando a rua toda. Uma desgraça! Mas como naquela época nós eramos contra o sistema e sujar a rua era sinal de engajamento, eu não estava nem aí. Faltava uma ladeira pra mim chegar na fábrica, quando aquela bosta resolveu soltar e eu escorreguei, fui me equilibrando e escorregando a ladeira inteira, mas não caí não! Não caí não! Foi como se eu estivesse usando patin num pé só! Imagina! É isso aí. Assim eu acho que esta acontecendo com a governabilidade deste país. Estamos descendo a ladeira de braçada, nunca antes neste país a governabilidade foi tão rápida e tão segura assim neste país.” (Aplausos entusiasmados).

“Presidente! Mas como termina a história?” (perguntou uma jovem estudante da USP).

“A merda?”

“Sim.”

“Ela ainda esta grudada aqui no meu sapato. É pra dar sorte.”

Moral da história:

A Escatologia foi a ciência inventada pela esquerda brasileira.

LET´S KISS THIS FROG

A Princesa Democracia andava pelos pântanos do reino a procura de um sapo para ser beijado. A feiticeira oficial havia-lhe dito que se beijasse um sapo, este iria se transformar num lindo príncipe. Ela chafurdava seus lindos pezinhos no lamaçal do pântano quando de repente um estranho sapo pulou na sua frente. Era um sapo e tinha barbas.
“É. Acho que vai ter que ser você.”
Beijou o sapo barbudo. Uma luz forte irradiou do batráquio e se transformou num humano. Era baixo, um pouco gordo, com as orelhinhas levemente arqueadas e pontudas e de barbas.
“Obrigado minha Princesa. Meu nome é Luis, mas pode me chamar de Lula.”
Não era bem o que ela esperava. Mas, não podia recusar foi o que o destino quis. Deu um suspiro de enfado e o levou ao castelo. Logo que chegou ao povoado, o Príncipe descobriu uma taverna. Entrou e já foi pedindo um trago e um bolinho caipira. Foi conversando com o dono do bar, com o aldeão que acabara de chegar da lida. Com o ferreiro, com todos que se encontravam no recinto.
“Rapaziada! O sapo barbudo agora é o Príncipe de vocês!” (risadas)
No começo a Princesa até achou conveniente este contato com os aldeões, mas o tempo foi passando e ele continuou na farra da taverna. O tempo foi passando e risadas e bebida a vontade, a farra continuava. A Princesa se cansou da farra e avisou o esperava no Castelo.
No dia seguinte ele não veio como não veio nos demais dias seguintes. Pediu aos assessores que o encontrassem. O Príncipe se encontrava em outra taverna conversando e bebendo como os aldeões. Eis que o reino era ameaçado pelos terríveis orcs bolchevistas. Correram para avisar ao Príncipe que fizesse alguma coisa.
“Eu fazer alguma coisa? Mande o Rei fazer é ele quem manda.”
“Mas é o Príncipe que é encarregado de rechaçar esses perigos.”
“Você é assessor né?”
“Sim. Sou assessor do reino.”
“Pois então eu te nomeio ministro de crise do reino e me deixa aqui com meus companheiros de taverna.”
A Princesa Democracia não gostou da atitude do Príncipe, pois apesar dela o ter escolhido, estas atitudes não eram legítimas. Foi perguntar ao Rei que representava a justiça no reino.
“Minha Princesa. Estas atitudes não corroboram com um verdadeiro Príncipe e o reino está jogado as traças, os orc estão nos nossos calcanhares. Talvez seja melhor você procurar outro Príncipe.”
E lá foi a Princesa de volta o pântano. Lula foi se consultar com a feiticeira quando soube das intenções da Princesa Democracia.
“Para você continuar como príncipe você terá de transformá-la em sapo. Caso contrário ela encontrará outro e você volta a ser um simples batráquio barbudo.”
“E como eu faço para transformá-la em sapo?”
“Você terá de beijá-la a força e enfiar sua língua de sapo na goela dela.”
Lula fez o que a feiticeira indicou. A Princesa Democracia virou uma sapa, os orcs invadiram o reino e tomaram o poder e o Príncipe Lula continua freqüentando as Tavernas do reino. Agora, bebendo com os Orcs Bolchevistas.

LOBOTOMIA

LOBOTOMIA
Numa entrevista com o presidente...
“Não sabia.”
“Como não sabia?”
“Ora! Não sabia e não sabia. E pronto.”
“Mas... mas...”
“Cumpanheiro. Veja bem. Afinal, devido e contudo, eu seja o presidente deste país... eu não sabia.”
“Mas um presidente deve saber de tudo!”
“Em meu governo eu decido o que devo saber e o que eu não devo saber. O que não devo saber deixo para os assessores saberem, pois não me interessa saber destas miudezas.”
“Mas o país esta um caos?”
“Perto do que era o país antes, está uma verdadeira maravilha e caminhamos para algo mais retumbante.”
“Mas e a saúde? E a segurança? E a infra-estrutura?”
“Cumpanheiro. É o que estou dizendo. O País perto do que era, está uma maravilha!”
“Mas, então o que era?”
“Ah?”
“O que era o país para ele estar uma maravilha como senhor diz?”
“Era...era...bom, antigamente as pessoas andavam a cavalo, iam a cavalo para o trabalho ainda não existiam fábricas e nem o conceito de empresas. Antigamente havia a escravidão. Hoje pessoas afro-descendentes como você tem a liberdade de ir e vir, de freqüentar escolas. De ter uma vida mais digna. Antes não havia automóveis nem, aviões, alguns poucos navios e alguns pouco trens. Antes não havia auto estradas hoje temos caminhões de último tipo.”
“De que época o senhor esta falando?”
“Ora Cumpanheiro?! De que época? De antes de 1899!”
“Mas isso era a época do império!”
“Pois é. Isso aí.”
O Jornalista já perdendo a paciência ainda faz uma pergunta:
“Senhor presidente Lula. O senhor conhece a lobotomia?”
“Ah?”
“O Senhor conhece a lobotomia?”
“Ah claro! Este projeto do Ibama é famoso, esta sendo indicado a uns prêmios mundiais pela ONU, estamos aumentando a população dos Lobos Guarás e já não é mais uma raça em extinção. Tá vendo! Nunca neste país a extinção de uma raça foi revertida.”
“Na verdade me refiro a intervenção cirúrgica no cérebro para acalmar os loucos. Hoje em dia essa prática é feita com os ativistas de partidos políticos de esquerda onde foi desenvolvida. Atualmente não é mais necessário a intervenção cirúrgica. Simplesmente ler algo de Gramsci, por isso esse autor é muito veiculado atualmente. O que o Senhor acha?
“Veja bem. O Gramsci foi um cumpanheiro sofrido da luta dos sindicatos ele sabia das coisas, senão não teria escrito o que escreveu, isto é óbvio.”
“Dizem que o senhor foi um dos primeiros lobotomizados.”
“Primeiro que eu nunca li o Gramsci, segundo que tenho tudo inteirinho. Quem disse isso deve ter sido aquele professorzinho de araque? Aquele cujo nome começa com efe e termina com agá. Né?”
“Não. Ele não disse isso, mas ele foi o seu antecessor algumas décadas depois do último imperador brasileiro.”
“Veja bem. Nunca neste país tivemos uma aprovação tão maciça de um presidente eleito pelo voto do povo. Bom, acho que entrevista acabou, estou com fome. O Chico! Cadê o meu Kibe? Aproveita e trás o meu chopps. Você quer um? É muito bom, melhor do que o que eu comia lá no ABC.”
Esta entrevista foi vetada pela assessoria Presidencial.
  • Posted: Monday, 27 August 2007 15:41:02 GMT
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O "Apideuta"

Era uma vez um grupo de nordestinos de Cabrobó do Sul beneficiados com os programas sociais do governo Lula. O grupo se uniu e com o dinheiro do governo arrumaram um ônibus para prestar homenagem ao Lula em Brasília no dia quinze de novembro, onde haveria o desfile cívico-militar.
Os Cabroboenses chegaram cedo á avenida do desfile.Conseguiram um lugar bem na frente do palanque onde o Presidente Lula ficaria. Eram vinte pessoas, tinham feito até uma faixa com os seguintes dizeres:
“PREZIDENTE LULA VOSSE É NOSSO ERÓI!!!”
Raimundo o chefe dos cabroboenses, comentou:
“Pessoal! A gente precisava fazer alguma coisa pro Lula notar a gente.”
“Mas o quê? Já temos a faixa, ele vai perceber.” Disse Débora.
“Mas não é o suficiente, vamo grita alguma coisa.”
“Então vamo grita: Lindo, Lindo!”
“Não Débora! Como que a gente cabra macho que é vai falar isso? Não pode! Já pensou o que o pessoal lá de casa vai pensar se virem a gente gritando isso? Tá certo que eu gosto do cabra, mas nem tanto assim.” Argumentou Raimundo.
“Então o que vai ser?”
“Vamo pensa pessoal!” Disse Raimundo. E fez-se um arretado “Brain Storm” no grupo.
“Já sei! Outro dia estava vendo lá na televisão do padre, uma tal de tevê Cultura, e tinha um sujeito de óculo e chapéu lá de São Paulo dizendo que o Lula é um ‘apideuta’. Eu achei a palavra demais de bonita.” Falou Osmar.
“Mas que que é ‘apideuta’?” Perguntou Maria. Houve um momentâneo silêncio de Osmar até ele achar uma resposta.
“Bom, nesse dia tinha esse cabra de chapéu e um outro sujeito que falava pelos cotovelos, um tal de Diego, acho. Esse Diego dizia que o Lula não era ‘apideuta’ e que era ignorante mesmo, aí o cabra de chapéu disse que apideuta era mais adequado.”
“Eta palavrinha difícil que você arranjou Osmar!” Disse Maria.
“A gente não pode parecer tão ignorantes assim, eu concordo como o compadre Osmar. Vamo usa essa palavra que eu também achei muito bonita.” Defendeu Raimundo.
“E como vai ser o grito?”
“Ah Maria...acho que vai ser ‘Euta, euta, euta Lula apideuta’. É fácil de gritar e até parece uma toada.”
“Então vamos treinar pra quando o Lula aparecer”. Organizou Raimundo.
Os Cabroboenses se concentraram e baixinho repetiram o refrão, depois de dez minutos estavam prontos para a homenagem.
Começou um burburinho no palanque, era Lula e sua comitiva que chegavam. A excitação tomou conta do grupo bem em frente de Lula. Uma chuva de Olha lá! Olha lá! Foi aí que Raimundo tomou as rédeas e mostrou a sua liderança.
“Atenção gente! Vamos se concentra para o grito! Maria fica quieta presta atenção! João! Segura a faixa direito senão cê vai pro ônibus! Atenção gente! É um, é dois é nos três!”
“Euta! Euta! Euta! Lula Apideuta!”
“Euta! Euta! Euta! Lula Apideuta!”
“Euta! Euta! Euta! Lula Apideuta!”
Gritavam a plenos pulmões, balançavam a faixa alegremente, era um grupo coeso muito animado. Os Sem Terra que estavam ao lado olhavam e não entendiam o quê aquele grupo de pessoas simples dizia. Alguns segundos de gritaria foi o suficiente para chamar a atenção das televisões e da comitiva do Lula. O Presidente chamou o Zé:
“Zé, dá para baixar o cacete?”
“Vou perguntar ao Márcio.”
E perguntou.
“Não Zé. É melhor ficar quieto e pedir para o Lula acenar.” Com um sorriso muito amarelo o Presidente acenou.
“Raimundo Deu certo!!! Ele esta acenando pra gente!”
“Vamo lá gente! Vamo grita mais alto!” Comandou Raimundo. Estavam muito excitados, gritavam mais alto. Os Sem Terras perceberam o espírito de alegria e se juntaram ao grupo na manifestação. Junto aos Sem Terra havia alguns estagiários de universidades que tentavam, em vão, dissuadi-los a parar com aquela manifestação.
O Presidente Lula saiu antes do término do evento, pois os cabroboenses conseguiram gritar o desfile inteiro, até um Dragão da Independência quebrou o protocolo, não se conteve e olhou o insólito grupo. Foi um dos dias mais bizarros para os intelectuais do Partido. No dia seguinte, estampado em todos os jornais do país, estava a manifestação cabroboense. O próprio Partido deu a solução para o problema. Pediram a inclusão de uma emenda constitucional do neologismo inventado pelos Cabroboenses “apideuta”, cuja definição seria, no jargão dos sertanejos, “cabra porreta”.

  • Posted: Thursday, 23 August 2007 13:51:09 GMT
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Oh!!! Mundanús!!!

OH!! MUNDANUS!!!
"Oh Mundanus!" Com já diria nosso caro colega de classe, Sir Edward Stevensons. Era o que dizia dos atributos das putas quando adentrava aos prostíbulos chics, nos idos dos anos 50.
Sir Edward Stevensons nada mais era do que o alter ego do romancista de botequim, José Alfonso da Cruz. Quando lá pelas altas madrugadas, ao trago da enésima pinga, seus colegas o chamavam pelo verdadeiro apelido "o Zé Cruz...cala a boca!". Ninguém o agüentava mais, seus discursos insólitos e pedantes, cheio de arabescos, enchia o saco! Somente Maria Cristina das Almas, mais conhecida como Crisdasalmas, famosa pela volumosa bunda é que lhe tinha ouvidos. Seu cú era, ao final da noitada, muito desejoso por aqueles que sobreviveram a esbórnia alcóolica. Mas Crisdasalmas só tinha olhos para o Zé Cruz e ele só a notava alguns segundos antes de sucumbir a bebedeira.
No dia seguinte, Zé Cruz acordava e ia trabalhar, era arquivista da Assembléia Jurídica. Trançava os pés da ressaca mal curada. Num desses dias, Crisdasalmas o seguiu, sentia que tinha de fazer aquilo. Zé Cruz não mais suportando vomitou até seus bílis aparecerem verde garrafa. Estava prestes a desmaiar quando Crisdasalmas veio em seu socorro. Ela era uma mulher forte e o sustentou até seus aposentos num cortiço próximo. Lá, o banhou, o tratou.
Quando acordou não reconhecia o lugar, mas reconhecia a bunda que estava dormindo ao seu lado. Pelo menos isto a bebedeira não levou. A doce lembrança do traseiro volumoso e voluptuoso de Crisdasalmas. Tratou de se aprochegar. Percebeu que era tão quente e gostosa como realmente parecia. Sentiu que não poderia mais dormir sem estar aconchegado naquela bunda. Foi então que os dias da esbórnia se acabaram, mas nem tanto assim.
Na casa nova do casal, fazia-se jogatinas de todo o tipo. Mais tarde abriram um pequeno cassino. O suficiente para poderem levar a vida. Nunca mais "Mundanus", nunca mais puta.

PAURA

...o breu desgraçado! Mal conseguia distinguir o asfalto do acostamento. Era uma noite de céu encoberto. Deveria estar com medo mas como dizem, o que não se vê não se sente. Lembrei de meu avô dizendo “só bestas como você para acreditar em coisas que só os olhos vêem”. Senti sua presença ao meu lado, “devia dar ouvidos ao seu coração”.
De imediato meu coração disparou, um frio súbito subiu minha espinha. Algo de muito ruim estava para acontecer, não sabia o quê, algo de muito perigoso. Parei no meio da estrada e tentei ver o que poderia ser.
Nada. Escutar? Somente os grilos e vento batendo no mato.
Cheiro? O perfume do ar da noite.
Mas meu coração saltava avisando que tinha problemas chegando, “maldito carro quebrado! Merda!”.
Meu avô de novo, “é melhor se acalmar pra pelo menos não mijar nas calças, o resto deixa que seu coração resolva”.
Desatei a correr, pude perceber uma árvore bem copada na beira do acostamento. Subi. Achei uns galhos que me deixariam bem escondido e até confortável.
Algum tempo depois percebi um barulho de motor se aproximando. Era um carro de faróis apagados e uma lanterna vasculhava o acostamento. Pararam perto da árvore, pude ouvi-los:
“Será que o desgraçado conseguiu fugir”?

“Vamo dá uns tiros no mato só pra ter certeza”.

“Não. O cara conseguiu fugir. O santo dele foi mais forte. Não tem jeito.”
Foram embora.

Fiquei tão apavorado que adormeci agarrado aos galhos. Sonhei com meu avô, dizia que estava se esforçando para que nada de mal me acontecesse, mas que deveria lembrar das coisas que ele me ensinou.
“Que coisas?”. Perguntei.
“Aquelas que te permitiram sobreviver a este contratempo.”
Acordei com um cocô de passarinho escorrendo no meu rosto. Nem percebi o sol nascer, mas estava com uma estranha tonalidade. Dizem que quando se tem contato com os espíritos o dia seguinte fica de uma cor diferente.
Fui pra casa.
  • Posted: Tuesday, 7 August 2007 13:50:39 GMT
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O VESTIDO

O Vestido

Janice foi convidada para ser madrinha de casamento de sua afilhada Sandra. Foi na melhor loja do shopping. Durval, o marido, tinha feito um bom contrato de prestação de serviço para um político da cidade e com isso ela pode se empetecar a vontade para o casamento. Comprou um vestido longo azul claro. Simples mas muito elegante. Janice tinha bom gosto pelas coisas. Foi educada em colégio interno de freiras. Havia feito faculdade de letras numa universidade católica. As próprias freiras sustentaram sua graduação, foi uma aluna exemplar no internato. Formou-se em latim antigo, infelizmente ninguém a avisou que esta língua era morta.

Conheceu Durval no final da faculdade. Foi amor á primeira vista. Ele estudava engenharia elétrica. Formavam o casal perfeito a exatas e a humanas. Janice foi convidada a continuar na universidade, mas abdicou em favor de seus filhos. Foram quatro no total, todos formados. No dia do casamento de Sandra ficou cinco horas no cabeleireiro foi serviço completo, pés, mãos, cabelos, limpeza de pele, massagens. Tudo isso valeu a pena. Quando Durval a viu com seu vestido recém comprado, saltou os olhos como um lobo que vislumbra uma bela cabrita. Ela com um sorriso maroto tinha entendido tudo. Haveria duas festas hoje.

Chegaram á igreja com o novo carro importado de Durval em grande estilo. Trataram de tomar seus devidos lugares de padrinhos ao lado esquerdo da noiva. A igreja estava cheia. Iria ser um casamento epopéico. Meses depois o casamento ainda seria tema de assunto em cabeleireiros e rodas de madames. O ambiente estava preparado para receber a noiva. Dez minutos depois soam as trombetas, a marcha nupcial começa a tocar, pétalas de rosas caem do balcão. Mulheres em prantos ao ver a beleza da noiva. Seu vestido era de um branco virginal, com uma longa cauda e um penteado alto aparentando uma maior estatura.

O padre deu início á cerimônia. Janice estranhou que as mulheres da platéia a olhavam e algumas davam risadinhas irônicas. Sua amiga Elenice apontou discretamente o outro lado, dos padrinhos do noivo.

Tragédia! Desastre! A madrinha, prima do noivo estava com um vestido idêntico ao dela. Janice quase desfaleceu. Como alguém pode ousar vestir a mesma roupa que a dela? Estava vermelha era evidente sua consternação. Durval também percebeu a coincidência e foi solidário a sua mulher apesar da voluptuosidade da prima do noivo. Era notório que o vestido caia muito melhor na prima do noivo do que em Janice. O padre fez o favor de estender a missa ao máximo, era amigo da família.

O sermão dizia a respeito das boas amizades do quão era bom se sentir perto das pessoas que compreendem seus medos e alegrias. Janice mal ouviu o sim, qualquer esquina ou buraco serviria para se esconder deste escândalo. O céu caiu sobre sua cabeça. Ela seria motivo de chacota de toda a alta sociedade. Afinal batalhou tanto para conseguir chegar a este status e por causa de uma sirigaita foi destronada de um minuto para outro. Foram jantares, festas, aparições públicas. Tudo em vão. Amanhã retornaria ao ostracismo social.

Os noivos estavam casados. Janice tratou de sair da vista de todos, mas aquela fila de comprimentos era um tumulto, não tinha como fugir. Tudo isto a fez ponderar qual seria a gafe maior sair á francesa de um casamento em que se é personagem principal ou encarar as terríveis coincidências. “Mas que diabos!” – Ela pensava.

“Porque esta lambisgóia foi escolher o mesmo vestido que o meu?” – Chegou a hora dos comprimentos Janice mal sorria, o casamento de sua sobrinha preferida foi um desastre. Comprimentou Sandra com dois beijos e um abraço foi quando viu a madrinha do noivo logo atrás. Janice baixou a cabeça, foi saindo como um cachorro com o rabo entre as pernas mas a prima lhe interrompeu o caminho:

“Meu Deus! Mas você esta com o mesmo vestido que eu! Você realmente tem um ótimo gosto!” – Falou em alto e bom som para todos ali na frente da igreja ouvirem.

“Mulher desgraçada, piranha, vagabunda!” – Seus pensamentos quase saíram pela boca, seus olhos ferviam. Ameaçou um coice na canela dela. Durval que a conhecia muito bem agarrou seu braço evitando um mal maior e a compostura pairou sobre suas cabeças novamente.

Foram apresentadas as respectivas madrinhas, a prima se chamava Celina uma mulher alta de cabelos pretos e lisos, pequenos e incisivos olhos castanhos. Sua boca só tinha lábios, suas pernas não acabavam mais. Extremamente simpática mais do que o necessário pensou Janice. Os noivos iriam receber os comprimentos em um famoso buffet da cidade.

Celina estava sem condução para a festa. Pediu carona a alguém e logo vários marmanjos se dispuseram a levá-la inclusive o Durval. Celina ficou encantada com o casal e aceitou.

“Nossa! Mas vocês dois formam um casal maravilhoso, acho mística esta linda coincidência dos nossos vestidos. A senhora não acha?” – Os olhos de Janice se encheram de lindas lágrimas de raiva, rezou para que seu marido fosse um psicopata e a matasse. Jogaria seu corpo no rio e tudo estaria bem o tão afamado casamento estaria salvo e não seria alvo de chacotas das fofoqueiras de plantão.

Parecia que aquele pesadelo não teria fim. No salão foram fotografadas juntas, filmadas juntas, até entrevistadas. Celina insistiu em sentar-se à mesa junto com tão belo casal, marmanjos a cortejavam a toda hora. Durante a valsa Janice desabafou com Durval:

“Quero sair desta festa não quero ficar nem mais um minuto. Estou traumatizada com esta situação e você não faz absolutamente nada para me ajudar. Você podia muito bem dar um tiro nesta vagabunda!” – Janice estava visivelmente transtornada.

“Venha cá meu amor vou pegar um uísque para você relaxar. Uma bebida forte vai te ajudar”.

Os dois foram ao garçom mais próximo. Ela nem fez cara feia ao virar o copo cheio. Voltaram para a mesa. Celina estava conversando animadamente com Gisela, uma ex-amiga de Janice. A muito não se falavam desde quando soube que Gisela paquerava Durval as escondidas.

“Belo vestido vocês arranjaram. Compraram juntas?” – Perguntou a peçonhenta amiga.

O jantar era bobó de camarão servindo num prato de porcelana inglesa decorado pelo famoso Chefe de cozinha Lui Martin. Janice pegou o respectivo talher para frutos do mar experimentou a iguaria, fez uma cara de desgosto e num simples gesto jogou todo o bobó de camarão em cima de Gisela.

O que seria um casamento triunfal virou uma briga de boteco de esquina. Janice insana quebrou uma garrafa de vinho, tinha a intenção de enfiar aqueles cacos no rosto de Gisela e da Celina. Durval usou de toda sua força para poder segurar a mulher. Necessitou da ajuda do noivo para separar as briguentas. Celina que era toda Zen, não entendeu o motivo de Janice estar brava com ela:

“Temos tanto em comum! O que foi que eu fiz?” – Com muito custo Durval conseguiu tirar Janice da festa e colocá-la dentro do carro. Na volta para casa Janice não parava de chorar Durval nada falava. Subiram para o apartamento, “vou comprar seu calmante”. Rapidamente tirou o terno e colocou um moletom. Saiu batendo a porta da sala.

Janice viu tudo isso chorando na sala. Levantou foi a seu closet, abriu a porta de espelho e se viu naquele vestido. O choro voltou em revolta, rasgou todo o vestido ficou nua no espelho. Viu seu corpo. Lembrou de como o vestido ficava bonito no corpo da Celina. Estava se sentindo muito mal a pior mulher do mundo, a mais feia, a mais horrorosa. Não conseguia imaginar o porquê de Durval gostar dela? Como ele poderia viver com um estrupício como ela? Ela era uma farsa como mulher, um arremedo de pessoa. Nem escolher um vestido decente conseguia escolher. A vida social que construíram juntos foi atirada na privada, Tudo porque não soube escolher um vestido decente.

Olhou para a porta de vidro de sua sacada. Eram quinze andares. O porteiro acordou com um repentino baque. Havia um corpo estendido na calçada.

Durval virou na esquina de sua rua, voltava da farmácia. Deu de cara com carros de polícia e ambulância. Deu meia volta no carro, entrou em uma viela perto de seu prédio. Parou no primeiro orelhão que encontrou. Discou rapidamente os números, não atendia. Discou de novo, atendeu:

“Celina? É o Durval. Nosso plano foi melhor do que esperávamos. Não vamos precisar mais dos calmantes. O vestido mais a baixa hormonal foram mais eficazes do que o calmante. Te espero daqui a quinze dias em Cancun. Beijos meu amor”.

O PENICO

O PENICO
Mesmo na presidência, Lula conservava um estranho hábito de família. Costumava guardar debaixo da cama um penico velho, do tempo de seus avós. Era um penico grande de ágate com a borda preta. Um costume que se recusava a largar.
Um dia quando ainda era um reles sindicalista, sua companheira jogou o penico fora. Achava nojento ver aquele troço cheio de urina ao acordar. Lula gostava do penico, lembrava da sua família, também porque de noite tinha preguiça de ir ao banheiro. Queria de volta, quase rompeu o relacionamento.
Acordou de madrugada não estava lá. Teve de ir ao banheiro. Não conseguiu urinar, estava tão acostumado ao penico que não conseguia mais urinar na privada a esta hora da madrugada. Sentou na privada, quem sabe assim conseguiria. Nada. Forçou. Nada, apenas um famigerado peido. Nada de mijo. Ficou mais irritado. Foi uma péssima noite. Na noite seguinte foi dormir na casa de sua mãe pois sabia que lá havia um penico.
Só voltou quando sua mulher lhe arranjou um novo urinol, de ágate maior do que o anterior. Ficou feliz. Descobriu que podia defecar nele. Mas a primeira vez que fez isso no quarto, sua mulher disse que se fizesse de novo iria contar para a imprensa.
Lula levou o penico ao Planalto, poucas pessoas sabiam deste estranho hábito. Um dia vazou para a imprensa, foi uma semana de pura irritação de Lula. Em seus discursos sempre colocava algo que remetia ao penico, mesmo que fosse a inaugurarão de uma escola ou o encontro de empresários o penico estava lá. Os assessores não sabiam mais o que escrever. Lula tinha o péssimo habito de ignorar as recomendações dos assessores. Ele não tinha paciência para ler tudo. Sempre achou que improvisar dava mais certo. Ele dizia: “Eu sei falá a língua do povo”.
O que o deixou mais irritado, foi a charge de um jornal na qual ele estava com o penico na cabeça, agachado sobre a constituição federal, lendo uma revista masculina. Chamou seu assessor de imprensa e o ministro da comunicação social. Disse que aquilo era uma ofensa ao representante deste país. Iria dentro em breve fazer uma retaliação ao jornal. Pra variar, esses comentários vazaram para a imprensa. Mais uma semana dos infernos para o presidente. Charges, comentários, artigos todos envolvendo o caso do penico.
A polêmica foi tamanha que a imprensa sugeriu uma entrevista incondicional com o presidente. O ministro da comunicação social negou. Outra semana de charges, artigos entrevistas de políticos versando sobre o penico. Lula não agüentava mais, decidiu fazer a entrevista, desde que não se tocasse no assunto do penico. Depois da entrevista o penico seria esquecido pelos jornais. Não foi. O penico sempre entrava na pauta de algum artigo, sempre acompanhava a charge de algum desenhista mesmo que fosse no canto da charge.
Mesmo com essa balburdia toda, o presidente levantava de noite para urinar e por vezes defecar em seu querido e estimado penico de ferro esmaltado. Quem detestava esse hábito era dona Maria, a emprega que tinha que limpar o penico todas as manhãs.
  • Posted: Tuesday, 7 August 2007 08:53:53 GMT
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Leitor tacanho

Um jornalista de um certo blog recebeu um comentário indecoroso de um leitor. Depois de uma garimpagem, o jornalista conseguiu colocar algo de civilizado para que os outros leitores soubessem do que se tratava.

“...quem você pensa que é falando dessa maneira e arrotando comportamentos por todos os cantos? Que ‘riiidiculo’! Cuidado que as coisas podem piorar para o seu lado...”

A resposta ao leitor tacanho.

“...arrout!”

“Que absurdo! Você não tem senso de ridículo de me dar este tipo de resposta? Estava esperando de você algo do gênero Trotsky ou pelo menos um desaforo ‘a la’ Gramsci ou Chaves! Mas como um bom direitista nada mais próprio do que Isso. Não sabe argumentar!”

A tréplica ao leitor tacanho.

“...(flatos)”

“Como? Sua mãe não te deu educação? Sua vó não te deu educação? Sim. Porque a elite branca e racista brasileira é criada pela avó. Essa direita brasileira não presta! Prefere apelar! Cadê sua intelectualidade? Cadê seu Smith? Você deveria se educar com o Paulo Freire e vai tomar no meio do seu....”

O jornalista em sua sábia intervenção:

“...(flatos)...pausa...(flatos) e mais (flatos).”

“Como foi que conseguiu subir na vida? Com certeza foi através de algum ente político de direita. De outra maneira não teria capacidade de trabalho, quanto mais de pensar.”

O jornalista enfiou a mão nas axilas e a apertou produzindo um estranho barulho.

“Seu pequeno-nojento-burguês! Saiba que a hora esta por vir, e que a revolução socialista chegará e te calará.”

A conversa continuou neste nível, quando o esquerdista sem mais nenhuma argumentação iniciou uma série de xingamentos. Que não importava mais ser colocado em público. O jornalista com isso mostrou a real linguagem da esquerda brasileira, impropérios, vilipendios e xingamentos.

Moral da história:

“A Escatologia foi á ciência que a esquerda brasileira inventou.”

  • Posted: Thursday, 2 August 2007 15:18:34 GMT
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PLAZA DE MAYO

PLAZA DE MAYO

...alguns meses depois do acidente onde nada aconteceu, uma senhora que teve os filhos mortos no acidente, inspiranda nas Mães da Praça de Maio, foi a Brasília. Todos os dias as nove horas da manhã ia para a porta do Palácio do Planalto. Vestida de preto com um lenço preto na cabeça segurando seus longos cabelos brancos. Em Brasília venta muito. Portava uma placa com os retratos dos filhos e uma frase: “O governo é responsável pela morte de meus filhos.”.

Precisou de poucos dias até ser percebida pela imprensa. Tentaram entrevistá-la, mas ela nada falava. Quando ela ganhou as paginas dos jornais, um porta voz da presidência tentou dissuadi-la do protesto. Mas ela nada falava. Por mais que insistissem ela nada falava. Permanecia em seu silêncio e cada vez mais doloroso protesto. A polícia foi chamada para tirá-la de lá, mas foram rendidos com um único olhar. Um olhar de dor, somente dor. Nada mais.

“Porra! Não vai tirar essa velha daqui?” – Disse um assessor da Presidência ao policial.

“Tira você.” – Lá foi o assessor tirá-la. Esbravejou com ela, palavras como vergonha, louca, traidora da pátria. E palavras mais duras como vagabunda e outras mais.

Mas ela nada ouvia, ficou parada olhando firme para o assessor. Irritado o assessor tomou a placa das mãos da Mulher e a empurrou. Ela se virou e saiu. Dois dias depois retornou com a mesma placa. O governo foi aconselhado que não fizesse mais nada pois cedo ou tarde ela desistiria.

Mas todos os dias de manhã, Lula a via na entrada do Palácio, resolveu mudar o itinerário e entrar por trás para não vê-la. A primeira dama foi tentar falar com ela, mas ao chegar perto desistiu. Sentiu a dor da mulher. Alguns dias depois ela não estava sozinha, havia mais outras mulheres e alguns homens com placas com fotos de seus parentes mortos nos acidentes. Sempre quietos. Nada falavam.

A cada dia que passava aumentava mais e mais o número de pessoas. Mas a mulher se destacava pelo silêncio. Um dia Lula resolveu falar com ela, pois aquele protesto ganhou repercussão mundial e sua popularidade estava em baixa.

Cercado de guarda-costas e da imprensa ele desceu, foi logo fazendo cara de luto. Mas quando viu os olhos da mulher não conseguiu sustentar a falsidade, ficou desmascarado. Como o dedo em riste ela disse:

“Você é o maior responsável pela morte de meus filhos. Quero que leve isso para o resto da sua vida.”

Ela colocou delicadamente a placa com seus filhos nos pés dele levantou-se e foi embora.

Era só isso que ela queria.

  • Posted: Thursday, 2 August 2007 14:52:38 GMT
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